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  Principais eventos de Arte Postal no Brasil  
 

1. Núcleo de Arte Postal

Entre as importantes produções de Arte Postal estão as realizadas pelo Núcleo de Arte Postal da Unicamp que surgiu na década de 80, a partir da iniciativa dos artistas Gilberto Prado, Lúcia Fonseca, entre outros. O objetivo era testar novas formas de experimentação com o espaço social lúdico gerado pelas redes da Arte Postal, bem como estimular a criação em rede. Dessa forma, o Núcleo de Arte Postal tanto recebia obras individuais que chegavam de artistas do mundo todo, como também enviava convocações e organizava mostras com o material recebido. Entre estes eventos, os mais importantes foram:

a) Wellcomet Mr. Halley
Primeira exposição organizada pelo artista Gilberto Prado, em agosto de 1985, época da passagem do cometa Halley. O nome foi uma brincadeira para dar “boas-vindas” ao cometa, e por trás disso também havia um trocadilho com um evento telemático da época chamado “Good Night, Mr. Orwell”, relacionado ao livro “1984”. Esse trabalho foi primeiramente exposto no Centro de Convivência de Campinas, e posteriormente no Paço das Artes (atual Museu da Imagem e Som) em São Paulo. Ambas as exposições, além de mostrarem esse fluxo informacional através do material gerado, contaram com performances de cantoras que misturavam o erudito ao popular, caso de Madalena Bernardes.
Em todos os postais expostos nessa mostra, podemos captar a essência do dinamismo gerado pelas interações entre os artistas e os temas desenvolvidos. Não apenas arte convencional, esses trabalhos também estendem a esfera da arte a práticas da vida cotidiana e situações do momento, caso da visibilidade do cometa, acentuada pelos meios de comunicação no ano de 1985. Além disso, o próprio tema “passagem do cometa” já implica numa poética da distância, gerando interpretações da comunicação como um intercâmbio cultural de signos, eventos e efeitos estéticos. Após esse evento surgiu o Wellcomet Boletim, que veiculava trabalhos, mostras, notícias da rede postal, abria espaço pra discussões e servia como espaço de mediação entre artistas. Teve 11 edições desde sua primeira publicação e chegou a contar com até 600 participações de artistas que recebiam o boletim periodicamente.

b. Torre de Bambu
Organizada por Gilberto Prado e Lúcia Fonseca, cada artista da lista de endereços recebia por correio um rótulo que era, ao mesmo tempo que um convite, um espaço para intervenção artística. Após receberem uma grande quantidade de rótulos de diversos lugares, Gilberto e Lúcia separaram várias latas de refrigerante, colaram cada rótulo recebido em uma lata diferente, e as colocaram em vários tubos de PVC, o que lembrava pedaços de bambu. Os tubos de PVC foram fincados no gramado do Instituto de Artes da Unicamp, e após colocarem neles todas as latas e montarem as “torres de bambu”, a primeira decisão dos artistas foi a de destruir toda a obra criada, simbolizando o fluxo do evento e a passagem do efêmero.
Nesse trabalho, ficou acentuada a problemática da criação, no dualismo individualidade (o desejo de cada artista participar) versus universalidade (como uma obra de arte pode ser construída pela junção das obras de vários artistas que partilham de técnicas e experiências diferentes, mas que ainda assim se complementam e intervêm de forma coletiva). Além disso, mais uma vez é trabalho o conceito do efêmero (quase uma constante em eventos de Arte Postal) e dos relacionamentos que acontecem em fluxos informacionais, ao invés de espaços físicos.

c. A Terra e Seus Terráqueos em 88
Como tratar a contemporaneidade nos campos do conhecimento humano, como a arte une culturas, quais são as impressões do artista que se depara com uma avalanche de desenvolvimentos tecnológicos no final da década de 80, quais as mudanças políticas e estruturais que refletem nas formas de percepção do ser humano, independente de fronteiras territoriais. Em suma, observando a Terra com o olhar de quem está de fora, seja um astronauta que está do lado de fora das nossas interações, seja um artista que se coloca no papel de observador. Essas e uma série de outras discussões foram abordadas nos trabalhos recebidos pelo Núcleo de Arte Postal da Unicamp a respeito do tema “A Terra e Seus Terráqueos em 88”. Colagens, montagens, xerox, representações da reprodutibilidade técnica. O intercâmbio de idéias, conceitos e críticas possibilitou a percepção de artistas vivendo realidades diferentes, acerca do que seria a representação do ser humano como unicidade, visto de fora do globo.


2. Coleções do Escritório de Arte Postal

O Escritório de Arte Postal, parte da Pinacoteca Municipal do Centro Cultural São Paulo, é composto por três grandes coleções, as quais receberam o nome de seus próprios doadores: Walter Zanini, Maurício Villaça e Ozéas Duarte. Durante muito tempo, quem cuidou desse material e organizou as exposições foi o artista João Piraí. Recentemente, houve a catalogação dessas obras a partir de um cruzamento entre o banco de dados existente e as informações obtidas nas obras. Dessa forma, hoje elas encontram-se tombadas e catalogadas nas seguintes coleções:

a.) Coleção Walter Zanini "XIV Bienal Núcleo I"
Material da XVI Bienal de São Paulo (1981), cuja exposição, voltada inteiramente à Arte Postal, teve curadoria de Júlio Plaza e Gabriela Suzana e curadoria geral de Walter Zanini, que doou os trabalhos expostos ao Centro Cultural em 1984. Esta foi a primeira grande doação de Arte Postal à Pinacoteca Municipal. A apresentação contou com a participação de aproximadamente quatrocentos artistas nacionais e internacionais, e os materiais e suportes trabalhos foram os mais diversos, desde os tradicionais envelopes e postais a adesivos, fanzines e polaroids.

b.) Coleção Ozéas Duarte "Como você limpa sua boca" ?
Proposta idealizada em 1986 por Ozéas Duarte e João Piraí, a idéia foi a de utilizar guardanapos como suportes para intervenções artísticas, onde cada artista abordaria o tema “Como você limpa sua boca?” da maneira como melhor preferisse. Ozéas enviou a proposta (juntamente com guardanapos) para uma lista de pessoas, e vários exemplos criativos apareceram, caso de um artista que, ao invés de enviar um guardanapo de volta, cortou o punho de uma camisa e simulou limpar sua boca no mesmo. O conjunto foi apresentado ainda no ano de 1986 no Centro Cultural São Paulo, e contou com outras exposições itinerantes posteriormente. A exposição contou com a participação de aproximadamente 150 artistas. O tema “limpar a boca” dialoga com as propostas gerais das redes de Arte Postal, no sentido em que une arte a temas cotidianos, gerando novas representações subjetivas e recolocações de procedimentos fora do seu ambiente habitual.

c.) Coleção Maurício Mendonça "Brutigre"
Um intercâmbio experimental de idéias entre treze países. Mais uma vez, a poética da distância entra em jogo, sendo que a criação é um processo que só funciona em meio ao dinamismo da comunicação. Para unir as diferentes impressões de artistas de diversos lugares, a figura do Tigre, elemento escolhido uma vez que, de acordo com o horóscopo chinês, 1986 foi o ano do tigre. A exposição foi feita no Centro Cultural São Paulo e o material foi doado ao mesmo foi Maurício Villaça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
Arte Postal e suas Poéticas. Unicamp 2007.